Obra de Stravinsky conta drama de um soldado que vende a alma ao diabo
Um soldado troca seu único bem de valor, um violino, por uma promessa de riquezas e poder feita pelo diabo. Essa história é o mote da obra composta por Igor Stravinsky (1882-1971), baseada no texto do escritor Charles-Ferdinand Ramuz (1878-1947), que a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) — fundação vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS) — traz ao Complexo Cultural Casa da OSPA em duas apresentações, nos dias 16 e 17 de agosto (sábado e domingo), às 17h. Com direção musical e regência de Wagner Polistchuk e direção cênica e narração de Zé Adão Barbosa, a montagem conta com as atuações de Cassio Nascmento como o Soldado e Ricardo Barpp como o Diabo, além da dança de Andressa Pereira como a Princesa, com coreografia de Carlota Albuquerque. A apresentação faz parte da programação do Dia Estadual do Patrimônio Cultural, e os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla. A apresentação do dia 17 (domingo) terá transmissão ao vivo no canal da OSPA do YouTube.
Sobre a peça
A peça cênico-musical A História do Soldado foi composta por Igor Stravinsky sobre o texto de Charles-Ferdinand Ramuz em 1918, no período da Primeira Guerra Mundial, e traz uma reflexão sobre aquilo que os seres humanos são capazes de fazer em nome dos seus desejos e da busca por poder. “O grande conflito é o eterno pas de deux entre o bem e o mal. O soldado tem o violino que lhe traz felicidade. O Diabo o quer para si e consegue. O soldado fica rico, mas infeliz. É a busca pela felicidade quando ela já está consigo (o violino)”, resume o diretor de cena e narrador da peça, Zé Adão Barbosa, que também já foi intérprete do Diabo em uma montagem de A História do Soldado vencedora do prêmio Açorianos de Teatro em 1991, dirigida por Luciano Alabarse e regida por Manfredo Schmiedt. Para ele, misturar teatro, dança e música é sempre excitante, e é esse o caso da obra de Stravinsky, que traz um diálogo constante entre a dança, a narração, os diversos instrumentos musicais e a atuação, onde todos ganham visibilidade e se complementam para contar a história. O texto de Ramuz é baseado em contos populares russos.
Marcante na história da música, a peça é tecnicamente desafiadora, inclusive na narração, que precisa respeitar o tempo da música orquestrada, como ressalta Barbosa. Ela já teve montagens em palcos de todo o mundo, sendo protagonizada por nomes como Sting, Jeremy Irons, Roger Waters e, em solo gaúcho, Hique Gomez, em uma apresentação com a OSPA em 2021, regida pelo maestro Evandro Matté. Na nova montagem, a iluminação e desenho cênico de Fernando Ochoa destacam os momentos e personagens marcantes no palco, ressaltando os cenários e figurinos elaborados pela Escola Casa de Teatro.
Equipe
Polistchuk substitui o maestro Rodolfo Saglimbeni, anteriormente anunciado na regência e direção musical da apresentação. Um dos maiores regentes da América Latina, Saglimbeni faleceu em 4 de junho de 2025, deixando um legado na música de concerto latina e mundial.
O responsável pela direção das cenas e pela narração do espetáculo é o premiado ator e diretor Zé Adão Barbosa, vencedor de três prêmios Açorianos. Fundador e diretor da Casa de Teatro de Porto Alegre, traz a experiência de participações em diversas obras de teatro, cinema e televisão, como o filme O Tempo e o Vento e a novela Laços de Família como ator e as montagens como diretor de Romeu e Julieta e A Ópera dos Três Vinténs. No elenco, o ator Cassio Nascmento, que interpreta o Soldado, conta com experiência no cinema e na televisão em produções como Tropa de Elite, Todas as Mulheres do Mundo e Malhação, entre outros, além de diversas peças no teatro. Com 25 anos de carreira como cantor e ator, Ricardo Barpp, intérprete do Diabo, já foi solista da OSPA e de outras renomadas orquestras do Rio Grande do Sul, acumulando uma vasta experiência artística. Já a bailarina Andressa Pereira, que interpreta a Princesa, integra o elenco da Cia Municipal de Porto Alegre, da Plural Cia de Dança e da Cia H, já tendo sido indicada ao prêmio Açorianos de Dança, além de ter sido coreógrafa nas óperas Carmen (produção CORS/OSPA) e María de Buenos Aires (com a Orquestra da Ulbra). As apresentações ainda contam com cenário e figurinos da Escola Casa de Teatro e iluminação e desenho cênico de Fernando Ochoa.
O Dia Estadual do Patrimônio Cultural
As apresentações também marcam a participação da OSPA na programação da 7ª edição do Dia Estadual do Patrimônio Cultural, comemorado no dia 17 de agosto. Instituída em 2019, a data celebra a diversidade e promove o cuidado e apreciação do patrimônio cultural material e imaterial do Rio Grande do Sul, com atividades promovidas por entes públicos e privados que são estimuladas e divulgadas pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) no terceiro final de semana de agosto — nos dias 16 e 17 de agosto em 2025. As atividades acontecem em diversos municípios, e a programação completa pode ser acessada no site do Dia Estadual do Patrimônio Cultural.
FUNDAÇÃO ORQUESTRA SINFÔNICA DE PORTO ALEGRE
A História do Soldado
- Quando: sábado (16/08) e domingo (17/08), às 17h.
- Onde: Complexo Cultural Casa da OSPA (CAFF – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS).
- Ingressos: de R$ 10 a R$ 50. Descontos: ingresso solidário (com doação de 1kg de alimento), clientes Banrisul, Amigo OSPA, associados AAMACRS, sócio do Clube do Assinante RBS, idoso, doador de sangue, pessoa com deficiência e acompanhante, estudante, jovem até 15 anos e ID Jovem.
- Bilheteria: em sympla.com.br/casadaospa ou no Complexo Cultural Casa da OSPA no dia do concerto, das 12h às 17h.
- Estacionamento: gratuito, no local.
- Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos.
- Transmissão ao vivo: apresentação do dia 17 de agosto, às 17h, no canal da OSPA no YouTube.
Este evento disponibiliza medidas de acessibilidade.
PROGRAMA
Igor Stravinsky | A História do Soldado
(Texto de Charles-Ferdinand Ramuz)
Parte 1
Marcha do Soldado
Pequenas Melodias junto ao Córrego
Marcha do Soldado (reprise)
Pastoral
Pequenas Melodias junto ao Córrego (reprise)
Parte 2
Marcha Real
Pequeno Concerto
Três Danças (tango, valsa, ragtime)
Dança do Diabo
Pequeno Coral
Canção do Diabo
Grande Coral
Marcha triunfal do Diabo
Apresentação: Orquestra Sinfônica de Porto Alegre
Direção cênica e narração: Zé Adão Barbosa
Direção musical e regência: Wagner Polistchuk
Elenco: Cassio Nascmento (Soldado), Ricardo Barpp (Diabo) e Andressa Pereira (Princesa)
Músicos: Camilo da Rosa Simões (violino), Eric Hilgenstieler (contrabaixo), Samuel Oliveira (clarinete), Altair Venâncio (fagote), Elieser Fernandes Ribeiro (trompete), Wilians Wagner (trombone) e Gabriel Moraes (percussão)
Coreografia: Carlota Albuquerque
Iluminação e desenho cênico: Fernando Ochoa
Cenário e figurinos: Escola Casa de Teatro
Lei de Incentivo à Cultura
Patrocínio da Temporada Artística: Gerdau, Banrisul, TMSA e Tramontina.
Apoio da Temporada Artística: Unimed, Imobi e Intercity. Promoção: Clube do Assinante.
Realização: Fundação Cultural Pablo Komlós, Fundação OSPA, Secretaria da Cultura do RS, Ministério da Cultura, Governo Federal – União e Reconstrução.